Mara e a Despensa

Uma história delicada sobre transformar abandono em abrigo e dar nome ao lugar onde o coração se sente seguro.

Isaias Goularte

2/27/20261 min read

Era uma vez uma garotinha chamada Mara.

Ela possuía uma alegria simples e contagiante, temperada com aquela inquietação e aquele desassossego característicos das menininhas curiosas.

Havia uma despensa abandonada no quintal de sua casa.

Mara visitava o lugar de vez em quando para brincar, mas sempre achou que a velha despensa precisava de uma limpeza. O lugar era escuro, cheio de lixo e com as janelas empoeiradas. Então, um dia, a menina resolveu encarar o desafio de dar um jeito naquela bagunça.

Logo no início da tarefa, Mara percebeu que o trabalho seria difícil, mas não desistiu.

Varreu toda a sujeira para fora e jogou no lixo tudo o que não tinha utilidade. Separou os frascos de vidro por tamanho e cor, limpou as latas, etiquetou todas as caixas, tirou o pó das janelas, removeu as teias de aranha e matou todas as baratas.

Mara levou quase uma semana para deixar o local como desejava.

Mas, quando terminou e viu a claridade entrando pelas janelas, sentiu-se profundamente feliz, grata e realizada.

Decidiu que aquele seria o seu cantinho particular.

Pintou a porta de vermelho e grudou nela uma plaquinha de madeira decorada com celofane, onde escreveu: “Coração”.


O coração é a despensa da alma. De vez em quando, é necessário fazer uma faxina, colocar o lixo para fora e deixar a luz entrar