O Besouro
Um besouro feio, desajeitado e improvável desafia expectativas ao fazer a única coisa que ninguém espera: continuar voando.
Isaias Goularte
2/27/20261 min read
Ninguém gosta do besouro. Também, pudera. Ele é feio, asqueroso e come cocô. Parece que a natureza resolveu escolher um para zoar, e o alvo foi o pobre besouro.
Ele não anda direito, não sabe nadar, é péssimo em escaladas e, com certeza, não foi feito para voar.
Mas é aí que o inimaginável acontece. Quando todo mundo menos espera, ele abre a carapaça e mostra suas asinhas — ou algo parecido com asas — pequenas demais para seu tamanho. E, contrariando todas as leis da física e da imaginação humana, lá se vai o bicho pelos ares.
E que tragédia de piloto ele é. Bate nas paredes, rodopia no chão, tromba nas pessoas, mergulha nos decotes, incomoda todo mundo. Mas, mesmo que aparentemente não saiba o que está fazendo, ele continua voando. Desrespeitando expectativas e desafiando probabilidades.
Claro que seu voo não é majestoso nem elegante, mas ele não liga para isso. Ele simplesmente voa.
Ninguém sabe onde ele quer chegar, e ele não se preocupa em dar satisfações sobre isso. Ele voa. Se ele está triste ou feliz, não importa: ele voa.
As abelhas são inteligentes, dedicadas e disciplinadas; fazem tudo com um propósito. As borboletas são um espetáculo aos olhos.
Mas o besouro... ah, o besouro... o besouro é surpreendente.
Talvez a vida seja isso mesmo: voar torto, tropeçar aqui e ali e, ainda assim, continuar. Porque, no fim, o importante não é saber voar bonito — é não esquecer de abrir as asas.